sábado, 11 de abril de 2009

Post 100 e ENEMonstro



Me lembro muito bem da minha época de colecionadora de gibis. Tinha umas peças raras como Magali nº 1 e, a mais inesquecível de todas, Mônica nº 100. Nesta, uma frase me chamou atenção e até hoje ela atravessa meu pensamento:

Mônica sem graça, Mônica sem sal, Mônica centopeia, a Mônica tá ficando velha

Hoje a centopeia perdeu seu acento (e véia, virou veia?) e quem tá ficando velho é o FDA. E eu. Cem posts em um blog, nunca achei que fosse atingir tal marca e me dar conta disso. Queria muito ter algo legal para escrever aqui hoje, sem ser um simples desabafo ou uma rotininha. Gostaria de fazer barulho. De polêmica. Tem uma coisa que tá fazendo escândalo na minha cabecinha, mesmo eu não sendo diretamente atingida por isso.

Nunca fui ligada em atualidades, mas parece que o que antes era um simples plano adiável está bem perto de se tornar real: o vestibular caminha para o começo do fim. O Haddad quer implementar um ENEMonstro que servirá como porta de entrada em qualquer uma das 55 federais do Brasil. Ele acredita que isso estimulará a diversidade cultural, entre outras coisas super legais como você só pagar uma taxa de inscrição (ou não pagar se for de escola pública) e poder concorrer às vagas das universidades. Olha, eu sou uma defensora ferrenha de uma reforma no sistema educacional. Sim, é um processo que tem que começar por algum lugar. Um ENEM com 200 questões mais redação (maior estilo SAT, nos Estados Unidos), que te dá a possibilidade de estudar em qualquer canto do país, é a melhor forma de começar? Acredito que não. O processo é lento e o sistema é bem corrupto. O jeitinho brasileiro tem esse nome porque é coisa daqui mesmo. O pré-vestibular vai virar pré-ENEMonstro e agora o aluno de São Paulo ou do Rio que não conseguir uma vaga na USP ou na UFRJ, por exemplo, vai estudar em outro estado, tirando uma vaga de alguém de lá, ou melhor, de alguém de lá que queria MESMO estar lá.
Encaremos as estatísticas: não estou falando que só os alunos do Sul/Sudeste são capazes, estou ressaltando uma concorrência bem desigual comparando resultados dos ENEM's de anos anteriores. Médias não representam casos particulares, e sim uma tendência geral. Mas é uma tendência geral que preocupa, porque o que a gente presencia não é um desvio-padrão, mas sim uma desigualdade gritante.
Li a proposta do Haddad toda, e tem um bocado de coisas que ainda não entraram na minha cabeça. Me diz como o INEP, aquele que sempre atrasa o resultado do ENEM e que ano passado me fez fazer uma prova que eu não era obrigada a fazer (mas como eu ia saber disso se eles não liberaram os benditos resultados?). Isso levando em conta um processo seletivo com poucos inscritos. Mas tá, como é que esse INEP vai liberar todo santo dia uma nota de corte para que o aluno, com o seu resultado em mãos, possa ver se tem chances REAIS ou não de entrar e, olhe só essa, TROCAR a opção de curso/instituição para uma que tenha mais chances, e viver nessa TODO DIA até o penúltimo dia antes da liberação da lista de convocados? Me explica, Haddad. Me explica porque eu não to entendendo. E se eu fosse você teria parado na parte do ENEMonstro unificado, com talvez uma cota interestadual (aceitar no máximo X% de candidatos oriundos de outras regiões do país em cada universidade - oi, minha ideia é genial, quero ser ministra). A linha entre acabar com o vestibular através de um ENEMonstro e criar um processo seletivo Transformer é beem fininha. E você acabou de ultrapassá-la.
Por enquanto vou ficar com a seguinte opinião: boa ideia, boa intenção, atitute precipitada em um sistema sem estrutura e uma booa pitada de imaginação com essa do INEP. Vamos ver como isso se desenrola.
Mas fica a dica para os futuros revolucionários de plantão: uma boa ESTRUTURA começa de baixo, pela BASE. Parem de mexer no ensino superior. Se vocês não querem um analfabeto funcional na Universidade, ALFABETIZEM o ser enquanto ele está na classe de alfabetização - que serve para isso mesmo.

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